Archive for agosto \30\UTC 2009

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Moby Dick é cult

30/08/2009

Outras duas grandes figuras da intelectualidade brasileira escreveram sobre a montagem de Aderbal em cartaz no Teatro Poeira – Rio.

Clique aqui para ler Poesia e Fúria de Moby Dick, no blog  de Domingos Oliveira

Clique aqui para ler Em busca de Moby Dick, no blog de Affonso Romano de Sant’Anna

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Moby Dick por Luiz Eduardo Soares

28/08/2009

O autor de Elite da Tropa escreveu sobre Moby Dick. Abaixo, o começo do texto que circulou por email e está publicado no portal Amai-vos. Boa leitura!

Moby Dick: O Anti-Fausto de Aderbal

Luiz Eduardo Soares

Se me perguntarem o que é teatro político –se é que esta categoria faz sentido, uma vez que supõe um improvável teatro apolítico–, eu diria, sem hesitar: aquele que encena Fausto, em qualquer uma de suas ilimitadas encarnações. Porque este é o dilema político, ou melhor, o dilema, por excelência, da política pós-muro: o pacto com o diabo, entendido como a assimilação de condições e a mimetização de práticas cuja negação fundamentou a identidade do (anti)herói. Seu destino, no poder, é converter-se no outro que lhe dera sentido por antagonismo.

Nas palavras sábias e céticas de Max Weber: a ética da convicção sucumbe ante os imperativos da ética de responsabilidade. Para governar, impõe-se renunciar aos valores e render-se aos limites ditados pela realidade, que se confunde com a lógica do capitalismo globalizado.

Antes, visões de mundo e valores se chocavam e a luta pelo poder era imantada pela expectativa redentora de transformações estruturais. Assumir o governo correspondia à conquista do poder (quase demiúrgico) de desfigurar o Estado herdado e conformar o real à imagem e semelhança das ideologias.

Hoje, a dinâmica do mercado é refratária aos espasmos do voluntarismo, às intervenções matriciais da política. No máximo, autoriza correções de rota e alguma regulamentação perfunctória, sob pena de fazer desabar sobre a sociedade uma tempestade devastadora, que a condenaria a anos de prostração, sofrimento, desemprego, desinvestimento, pobreza, colapso da ordem institucional e mais desigualdades.

Eis a equação que não fecha: aplicar-se a cumprir convicções, sacrificando a governabilidade e fechando as portas para as mudanças desejadas, ou adequar-se ao realismo, postergar fantasias, negociar com Mefistófeles, aliar-se aos inimigos e resignar-se a gerenciar a máquina sem tirá-la dos trilhos, em nome da governabilidade? Na segunda hipótese, manter-se-ia o poder, entretanto esvaziado de substância e sentido. Na primeira, a fidelidade a princípios o desconstituiria. Que fazer? De novo, como sempre, a pergunta mais dura e decisiva?

Estão aí, no meio de nós, no meio da rua: Fausto e suas trevas. O dilema hamletiano resolve-se na direção do que há de mais sombrio.

clique aqui para ler a continuação deste texto publicado no portal Amai-vos

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Saiu a crítica de Moby Dick

20/08/2009

miniHoje foi publicada a crítica de Barbara Heliodora sobre Moby Dick. “Qualidade com algumas ressalvas –  Aderbal Freire-Filho se sai bem do desafio de adaptar a monumental obra de Melville”. Abaixo, a versão legível.

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Vau da Sarapalha

13/08/2009

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Com frequência artistas lembram da ocupação do Teatro Glaucio Gill feita pelo Centro de Demolição. Na matéria publicada ontem pelo O Globo (assinada por Alessandra Duarte), Luiz Carlos Vasconcelos recordou a passagem de Vau da Sarapalha pelo Rio. “Fizemos uma temporada em 1993 que foi um acontecimento, no Glaucio Gill, quando o teatro abrigava o Centro de Demolição e Construção do Espetáculo, do Aderbal (Freire-Filho) – lembra Vasconcelos sobre sua vinda ao Rio quando ainda era desconhecido aqui”.

Assisiti a Vau da Sarapalha em 2000, numa disputada sessão no Encontro Mundial das Artes Cênicas – Ecum, em BH. Na época, o espetáculo do grupo paraibano Piollim já era tido como mito do teatro nacional. Com direção e adaptação de Vasconcelos (que também atende por Palhaço Xuxu), a montagem a partir do conto de Guimarães Rosa entra no contexto da década de 90, que indicava forte namoro entre a literatura e o teatro.

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Ensaios de um livro

08/08/2009

duda mamberti/foto:Renata Caldas

Depois da temporada européia com  a Sutil Cia de Teatro, Duda Mamberti aterrisou em Brasília para apresentar Educação Sentimental do Vampiro (de Dalton Trevisan). Aproveitei a passagem do ator pela cidade para conversar sobre sua experiência no primeiro romance-em-cena, A mulher carioca aos 22 anos (1990).

“Não estávamos ensaiando uma pecinha qualquer. Estávamos ensaiando um livro. Era uma linguagem que não existia”, lembra Duda, que começou a ensaiar com oito meses de processo em andamento. O trabalho de descoberta da linguagem era tão intenso que, nesses oito meses, o grupo tinha avançado somente 30 páginas do romance de João de Minas.

Assim com outros atores entrevistados, Mamberti situa A mulher carioca como um divisor de águas na sua carreira. “O principal foi trabalhar com Aderbal. Ele te dá muito estofo. Trabalha o ator”. Além do crescimento como ator, Mamberti considera o trabalho enriquecedor pelas amizades de elenco: “Tenho essas sete pessoas como irmãos de palco”.